Face à crise da dívida e ao elevado desemprego em clima de recessão, não se pode esquecer que as condições de vida e de bem-estar dependem do investimento pessoal em capital humano, pela promoção de vocações, carreiras e profissões; com uma política cultural, que tem de mudar, no sentido do dever e da responsabilidade pessoal.
Há limites para o endividamento, que impõem a revisão da utilidade da despesa (sem admissão do supérfluo e do desperdício na despesa pública) na ponderação das virtudes da poupança e do investimento, no direito de exigir políticas orçamentais rigorosas e dívida e défices públicos controlados e justificados.
O valor da terra e do mar na alimentação e na habitação justifica uma formulação mais rigorosa das políticas dirigidas à sua utilização: não é admissível ver terra abandonada e mão-de-obra disponível e sem trabalho; e é urgente privilegiar a recuperação de centros urbanos envelhecidos e desocupados em detrimento de novas construções; e desbloquear a oferta do crédito.
Cumpre valorizar a iniciativa individual e a criação e crescimento das PME, com uma política de reindustrialização orientada para as exportações e consumo interno, substitutivo de importações (e atenuador das implicações que resultam das flutuações do comércio mundial), e adoptar uma dinâmica favorecida pela especialização sectorial da economia, dos produtos e melhoria da posição concorrencial – em termos de uma diferente e melhor partilha das vantagens que se exprimem nas virtudes e poder da acção comercial e do valor do dinheiro.
Mas são necessárias reformas fiscais e institucionais, que respondam às exigências da eficiência e da justiça social, valorização dos princípios da subsidiariedade e da concorrência, desenvolvimento de uma cultura de consenso e de co-responsabilidade, e o império do sentido da previsibilidade, da dignidade e da decência.